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O órgão invisível: O papel da microbiota intestinal na saúde do adulto

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Escrito pela Nutricionista Beatriz Fonseca


A saúde humana é profundamente influenciada por um ecossistema complexo que reside no trato gastrointestinal: a microbiota intestinal. Embora microrganismos também habitem a pele e as vias aéreas, é no intestino, da boca ao ânus, que se concentra a maior comunidade bacteriana. Este conjunto de microrganismos é tão dinâmico que é atualmente considerado um órgão metabólico e endócrino fundamental para a saúde.

O que é e para que serve?

É fundamental distinguir a microbiota (o conjunto de microrganismos vivos) do microbioma (o genoma e a informação genética destes organismos). No adulto, a microbiota atua através da produção de metabolitos, que servem como mediadores essenciais na comunicação entre o intestino e órgãos vitais como o fígado, cérebro, músculos e tecido adiposo.

A Influência na Imunidade, Digestão e Peso

  • Modulação Imunitária: A microbiota produz Ácidos Gordos de Cadeia Curta (SCFAs), como o acetato, propionato e butirato. Estes mediadores são cruciais para o desenvolvimento de células B, a diferenciação de células T reguladoras e a manutenção da integridade da mucosa intestinal.
  • Homeostase Metabólica: Um estado de desequilíbrio (disbiose) compromete a permeabilidade intestinal e gera uma inflamação sistémica constante. Este cenário está diretamente associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e esteatose hepática.
  • Regulação do Peso e Apetite: A composição bacteriana interfere na acumulação de gordura e no dispêndio energético. Além disso, influencia os níveis de saciedade através da comunicação com o nervo vago e da secreção de hormonas como o PYY e GLP-1.

Orientações Práticas para a Saúde Intestinal

Para otimizar a função deste “órgão”, o indivíduo deve considerar os seguintes fatores determinantes:

  1. Variedade Alimentar e Fibras: A dieta assume um papel privilegiado, pois os alimentos servem de substrato para as bactérias benéficas. Uma dieta pobre em fibras e rica em ultraprocessados, açúcares e gorduras saturadas favorece o crescimento de bactérias patogénicas e inflamatórias.
  2. Estilo de Vida e Consistência: Fatores como a prática de exercício físico, a gestão do stress e a regularidade nas refeições (incluindo períodos de jejum) moldam a resiliência da microbiota.
  3. Uso Consciente de Medicamentos: A toma de antibióticos e outros fármacos deve ser rigorosamente controlada, dado o seu impacto profundo e, por vezes, duradouro na estabilidade deste ecossistema

 

Bibliografia

Fan, Y., & Pedersen, O. (2021). Gut microbiota in human metabolic health and disease. Nature Reviews Microbiology, 19(1), 55-71.

Krauss, G. (2022). Gut Microbiota and Metabolic Health. Journal of Nutrition.

Morrison, D. J., & Preston, T. (2016). Formation of short chain fatty acids by the gut microbiota and their impact on human metabolism. Gut Microbes, 7(3), 189-200.

Nicholson, J. K., et al. (2012). Host-gut microbiota metabolic interactions. Science, 336(6086), 1262-1267.

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