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Menopausa e peso: o que o metabolismo realmente faz

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Escrito pela Nutricionista Beatriz Fonseca


A menopausa é frequentemente associada a aumento de peso, mas será mesmo inevitável? A resposta curta é: não. No entanto, existem alterações fisiológicas reais que ajudam a explicar porque é que muitas mulheres sentem essa mudança nesta fase da vida.

O que muda no corpo?

Durante a transição para a menopausa, há uma diminuição significativa do estrogénio e um aumento da hormona FSH. Estas alterações hormonais têm impacto direto no metabolismo:

  1. Redistribuição da gordura corporal: maior acumulação na zona abdominal
  2. Aumento da resistência à insulina: redução da capacidade de utilização da glicose
  3. Diminuição do gasto energético: o metabolismo torna-se mais lento
  4. Perda de massa muscular: fenómeno natural com o envelhecimento

Estima-se que aproximadamente 20% das mulheres ganhem cerca de 4,5 kg nesta fase, mesmo sem alterações aparentes na alimentação.

Então… porque parece que engordar é inevitável?

Não é inevitável, no entanto é mais fácil acontecer.

A combinação de fatores hormonais, menor massa muscular e alterações no apetite (especialmente maior desejo por doces) cria um ambiente propício ao ganho de peso.

Além disso, há um ponto muitas vezes ignorado: o impacto emocional. Alterações de humor, stress e pior qualidade do sono também influenciam as escolhas alimentares e a regulação do apetite.

 

O papel da alimentação

 

A boa notícia é que a alimentação pode ser uma ferramenta poderosa nesta fase.

 

Proteína: Com a perda de massa muscular, a necessidade de proteína aumenta.

  • Recomendação: 1,2 a 1,4 g/kg de peso corporal
    • Benefícios: Preserva a massa muscular¸ Aumenta a saciedade¸ Ajuda no controlo do peso¸Contribui para a saúde óssea

 

Equilíbrio energético

Dietas ricas em proteína só promovem perda de peso se houver um défice calórico global. Não basta aumentar proteína, é preciso olhar para o total da alimentação.

 

Hidratos de carbono: qualidade importa

Durante a menopausa, há alterações no metabolismo dos hidratos de carbono que contribuem para uma maior tendência para a acumulação de gordura visceral e diminuição da sensibilidade à insulina.

Estratégias como:

  • Redução de hidratos refinados
  • Priorizar alimentos ricos em fibra
  • Abordagens com baixo teor de hidratos de carbono ou jejum intermitente podem ser úteis, sobretudo em mulheres com resistência à insulina.

 

Exercício: não é opcional

A alimentação sozinha não resolve.

  • Treino de força é essencial para preservar e aumentar a massa muscular
  • Ajuda a melhorar a sensibilidade à insulina
  • Aumenta o gasto energético

Sem este estímulo, torna-se muito mais difícil contrariar as alterações metabólicas da menopausa.

 

Conclusão

 

A menopausa traz mudanças reais no metabolismo, mas não significa que o aumento de peso seja inevitável.

Com uma abordagem estratégica que inclui:

  1. ingestão adequada de proteína
  2. controlo do equilíbrio energético
  3. escolha inteligente de hidratos de carbono
  4. prática regular de exercício de força

É possível não só manter o peso, mas também promover saúde e qualidade de vida nesta fase.

O mais importante é abandonar a ideia de “é normal engordar e não há nada a fazer”, porque há, e faz toda a diferença.

 

Bibliografia

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